A minha intenção não foi criar um espaço dedicado à história do rádio no Brasil.
A minha motivação veio do fato de ter nascido na época de ouro, da chamada Era do Rádio.
O título expressa um tempo, e não o intento de analisar o fato.
As tendências e os hábitos da época serão registrados, da forma como eu os vi e vivi.
Não pretendo ser nostálgico ou saudosista, senão apenas manter, vivos na memória, os hábitos e comportamentos de uma época.
Administrador comercial aposentado, um autodidata em numerologia, desde 1990, com metodologia própria denominada Numerologia da Alma, baseada na interpretação kármica dos princípios pitagóricos.
Curso de Parapsicologia no Instituto Joseph Murphy. Iniciação esotérica na Doutrina Secreta, em Ordem Iniciática Teosófica, com aprofundamento no esoterismo cristão-cristíco. Inspirado na vida espiritual, pela sabedoria do Senhor do Sétimo Raio, Mestre Saint Germain. Ecologista, escritor, cronista, poeta e instrutor de numerologia. Cursos ministrados no Rio de Janeiro,palestras realizadas no Rio e em São Paulo, com destaque para a proferida no Ministério da Fazenda no Rio, em 2005, sob o tema Numerologia e Auto-conhecimento. Palestrante do Circuito SEBRAE-2004, em diversas cidades do interior paulista, com o tema Auto-conhecimento e Espiritualidade.
Analista de mapas numerológicos e promotor de cursos, no sítio onde moro, desde 1992, em São Lourenço-MG.
Há 103 anos atrás, no dia 4 de maio de 1906, nascia em Salvador, na Bahia, o grande músico e uma das criaturas mais inventivas e pioneiras que conheci, o saxofonista e meu tio, Sandoval Dias. Tendo casado com minha tia Amélia, em 6 de março de 1948, quando eu só tinha 4 anos de idade, tio Sandoval marcou a minha infância com seus hábitos pioneiros, para o menino criado na vida simples de uma família de classe média da época. A sua condição de artista da Rádio Nacional, na Era do Rádio, já o tornava um ídolo de minha meninice, alguém que trouxe a fama do estrelato para dentro da família. Se não era bem assim, não era outra a visão que eu tinha do meu tio músico. O seu saxofone dourado parecia, aos meus olhos de criança, uma peça de um inestimável valor, que avalizava e engrandecia a sua condição artística e musical. E se, de repente, numa reunião em família, meu tio punha-se a tocar, aí mesmo é que os meus sonhos de grandeza não tinham mais fim. Tio Sandoval introduziu hábitos e valores, na vida da família, que eram absolutamente revolucionários para aqueles idos tempos do final da década de 40 e início dos anos 50. Máquina de filmar e projetor reproduziam na tela os encontros em família, os batizados dos filhos, os nossos aniversários ou simples reuniões de domingo, em torno da mesa farta com a casa cheia. Lembro-me de uma noite em que a vizinhança pôde assistir a uma sessão de cinema, num telão que meu tio estendeu do outro lado rua, onde projetou desenhos animados do Popeye e Olívia Palito e comédias do Gordo e o Magro e do Carlitos. Isso, numa época em que não havia televisão e que os cinemas ainda não haviam começado a se espalhar pelos bairros, como veio a acontecer nas décadas de 60 e 70. A criançada ficava deslumbrada, diante daquele projetor com seus carretéis mágicos, girando e projetando imagens, que eram lançadas através de um foco de luz numa tela branca. A emoção de poder escolher o filme que queríamos assistir, e ver os personagens que só conhecíamos das tiras de jornal ou das poucas revistinhas infantis da época, era algo indescritível e inteiramente despropositado para os tempos modernos. E o que dizer do fato de poder assistir a própria imagem na tela, brincando com os primos ou correndo atrás do Cipó, o cão do meu tio, que ganhou o nome em homenagem ao amigo e músico! A casa de Paquetá, para finais de semana, foi outra iniciativa revolucionária do meu tio Sandoval, para aquela época, e principalmente para aquela família com uma vida rotineira e previsível. As casas de Paquetá, lembro-me de duas delas, e nem sei se houve outras, marcaram a minha infância, deixando lembranças que ainda hoje me fazem suspirar de saudade. As sextas-feiras à noite, ansiosas e quase angustiantes, pareciam não ter fim, encumpridando as madrugadas e criando uma expectativa deliciosa para a chegada das manhãs de sábado. O cheiro de maresia da Praça XV, o ronco do motor das lanchas ou o suave contato das pás das barcas com as águas da baía, deixavam o meu coração aos saltos, enquanto eu sorvia o frescor da manhã, a caminho de Paquetá. As férias em Lambari foram mais uma criação do meu tio Sandoval, que conseguiu convencer os meus pais a passarem uma semana num hotelzinho familiar e aconchegante, naquela aprazível estância hidromineral do sul de Minas. A experiência foi maravilhosa, e me deixou em estado de graça, por viajar de trem maria-fumaça, chegando à noite no hotel, e sendo acolhido com muito carinho pelos proprietários, que logo pude perceber, tinham o meu tio em alta conta. Aprendi a admirar o tio Sandoval por esses pequenos detalhes familiares, que ele, como poucos, sabia valorizar e usufruir com alegria e descontração. A sensação é que tudo era muito fácil para ser conseguido, ele parecia ter um jeitinho todo especial para descomplicar tudo e extrair prazer das coisas mais simples. Essa recordações, e o sentimento de que o tio Sandoval foi tão importante para a minha vida, quanto o músico Sandoval, para a musicalidade brasileira, fizeram-me escrever este texto, em que presto-lhe uma homenagem pelos 103 anos do seu nascimento. E ao som dos Boêmios, conjunto em que tocou, durante a década de 60, vou encerrando esse rosário de belas recordações da minha infância, quando tudo começava e acabava com música. Afinal de contas, vivi e convivi com as rotinas musicais da Era do Rádio, e ainda tive o privilégio de fazer parte do cotidiano de um dos protagonistas daquela época, o grande sax-tenor Sandoval Dias.
Sandoval Dias, um dos "cobras" dentre os músicos da Era do Rádio no Brasil, como foi chamado pela Revista Radiolândia, nasceu na Bahia, em 4 de maio de 1906. Publico a declaração de próprio punho do meu tio Sandoval, em que ele, de forma simples, como era o seu estilo, conta de modo sucinto, a sua trajetória musical. "Vim para o Rio ainda muito jovem e resolvi aprender música com meu pai, e tocando trompete, instrumento que soprei por pouco tempo, passando para o saxofone-tenor com o qual me dei muito bem, pois com pouco tempo de estudos me revelei um bom instrumentista, e fui logo convidado para participar das melhores orquestras do Rio, atuando em todos os cassinos e estações de rádio.
Em 1941, ingressei na rádio Nacional do Rio como solista de saxofone-tenor, onde permaneci até 1961(20 anos), quando fui transferido para a Rádio Ministério da Educação e Cultura(MEC).
Depois de uma pequena prova, ocupei o cargo de claronista(clarinete-baixo) na Orquestra Sinfônica Nacional do MEC, sob a regência do Maestro Eliazar de Carvalho.
Na época em que trabalhei na Rádio Nacional, fui também contratado exclusivo da Philips do Brasil, para gravações fonográficas durante cinco anos."
De acordo com informações prestadas por minha prima, Tio Sandoval gravou 14 LPs e diversos discos de 78rpm. Ainda contando com minha prima, como fonte de informação, os LPs seriam Um saxofone em hi-fi, Um saxofone depois da meia-noite, Dançando com Sandoval Dias, OK para dançar, Dançando com o sucesso, Sandoval Dias e seu sax dançante, Sandoval Dias e seu sax romântico, Música de Maysa, Ao encontro da música, Boleros, Ritmo de bolero, Um saxofone em ritmo de bolero, Um saxofone em ritmo de bolero nº 2 e o Brasiliana nº 7 e 8.
Em futuras postagens, pretendo comentar sobre cada LP, falando da seleção musical e de suas interpretaçõe, algumas delas memoráveis, como sua sensacional performance, numa das faixas do LP Um saxofone em hi-fi, interpretando Czardas, música que sempre foi um desafio para os violinistas e que se rendeu à técnica extraordinária de Sandoval e seu sax-tenor. Esta interpretação é imperdível para os amantes da música instrumental, e justifica o elevado conceito que Sandoval Dias sempre desfrutou entre os grandes maestros de sua época.
Sandoval Dias participou das grandes orquestras da Era do Rádio, dentre elas a de Fon-fon, Chiquinho, Zacarias e muitas outras, sob as regências de nomes famosos como Lyrio Panicalli, Eliazar de Carvalho e Radamés Gnatalli. Radamés considerava Sandoval um dos grandes músicos do seu tempo, e para ele compôs uma música num estilo erudito, que Radamés preferia chamar de música de concerto, a Brasiliana nº 7, tendo gravado essa música junto com Sandoval e com sua irmã Aída Gnattalli, num duo ao piano. De Radamés, Sandoval também gravou Amigo Pedro e Pé ante Pé, e que são citadas como obras importantes de autoria de Radamés Gnatalli, que, no entanto, não podem ser comparadas com a grandeza musical da Brasiliana, dedicada a Sandoval.
No site de Leo Gandelman, um dos grandes saxofonistas modernos, o músico Henrique Cazes comenta a admiração que Radamés nutria por Sandoval e Zé Bodega, como grandes saxofonistas que eram, e ressalta a restrição que Sandoval sofria de seus contemporâneos, por não haver aderido às influências jazzísticas.
Ouvindo-se os LPs de Sandoval Dias, pode-se comprovar sua preferência por canções românticas e dançantes, nas quais se sentia muito à vontade para impor o seu fraseado suave e envolvente, repleto de emoção. O jazz, sem dúvida, não o atraía, nem como estilo musical, nem como forma de extravasar a sua criatividade artística, como costuma ocorrer nas famosas "jam-sessions". Se foi esse desprezo pelo jazz que atrapalhou a sua fama, talvez ninguém possa afirmar com certeza, e nem vale a pena especular. Entendo que o verdadeiro artista tem seu espaço, qualquer que seja a sua preferência musical, desde que possúa talento e sentimento para expor a sua arte. E isso não se pode negar a Sandoval Dias e seu sax-tenor. Na década de 60, Sandoval dias participou do grupo "Os Boêmios" da Rádio MEC, ao lado de Homero Gelmim (violino), Eugênio Martins (flauta), Gabriel Henriques (baixo) Artur Duarte e Carlos Lentini (violão), Waldemar Melo (cavaquinho) e Cabore (percussão). O repertório do grupo era de música popular brasileira, misturando sambas, chorinhos, sambas-canções e valsas, com um estilo nobre de interpretar, digno dos músicos componentes de orquestra sinfônica e que compunham o grupo.
Na década de 70, Sandoval Dias aposentou-se, e passou a se dedicar à regência de Bandas, em Cordeiro e Nova Friburgo, e mais tarde, veio a assumir a função de Maestro da Banda Civil do Rio de Janeiro, função que exerceu até o ano de 1993, quando veio a falecer, no dia 6 de setembro.
Tendo como fundo musical a maravilhosa seleção do LP Um saxofone em hi-fi, que tem na capa a foto da Jayne Mansfield, vestindo um baby-doll preto, coisas da época para atrair o comprador, eu mergulhei no tempo, para escrever este texto. E nesse mergulho profundo, me vieram à lembrança saudosas recordações de uma época romântica e musical, quando tudo o que se fazia era alimentado por um fundo musical, que vinha de um aparelho de rádio.
Enquanto escrevia, eu recordei, entre outras, No Rancho Fundo, Autumn Leaves, Pensando em Ti, Around the World e a já comentada e exaltada Czardas. Era com fundos musicais que se vivia naqueles tempos idos, como costuma dizer a minha Flora, tão saudosa quanto eu daqueles inesquecíveis momentos vividos na Era do Rádio.
Esta postagem é dedicada à minha leitora Myriam Esteves e à sua sobrinha Regina, que, ao se depararem com o Na Era do Rádio, souberam dar valor ao seu conteúdo. Encantada com a matéria sobre as balas Ruth, a Myriam descobriu meu telefone e relembrou comigo outras coleções de figurinhas, que fizeram parte de nossa infância. A Myriam mencionou, no meio da conversa, as balas Hollandezas, que ela colecionara quando menina, e eu confessei-lhe a minha ignorância, por nunca ter ouvido falar naquelas balas. Nessa hora é que eu descobri que conversava com uma mulher, no mínimo, 10 anos mais velha do que eu, ligada na internet e interessada nessa mesma cultura popular. Que maravilha ! Desliguei o telefone, e pus-me a pesquisar sobre as Hollandezas, e descobri bem mais do que pensei, e do que, talvez, a própria Myriam pudesse imaginar que houvesse ocorrido, naqueles seus tempos de menina. As balas Hollandezas e suas figurinhas foram lançadas em 1934, e a partir daí ocorreu uma "febre" de colecionadores, que chegou a gerar polêmica na sociedade da época. O jornal A Tribuna de Santos fez uma matéria de capa, em sua edição de 7 de novembro de 1934, com o título "Balas Hollandesas - a coqueluche da cidade". Na matéria, o jornal começou uma série de reportagens condenando o que chamava de perda de tempo e de um pseudo passa-tempo, que beneficiava a uns poucos espertalhões que lucravam com o comércio das figurinhas mais difíceis. O jornal relatava a loucura que tomara conta de homens, mulheres e crianças, que se reuniam em praças e esquinas, buscando conseguir as figurinhas que faltavam para completar o álbum. As balas Hollandezas, que não são do meu tempo, foram as grandes precursoras das balas Ruth, essas, sim, da minha época, e que me acompanharam numa bela fase da minha infância.
As balas Ruth foram lançadas em 1950, oferecendo prêmios para quem enchesse o álbum. Eram bicicletas, bolas de futebol e outros sonhos de consumo da garotada do meu tempo. A história comprova que saía muito mais barato ir na loja e comprar os prêmios ofertados, do que tentar ganhá-los comprando balas. E quem estava se importando com os prêmios ? O sonho de qualquer criança da época era completar o álbum com as 360 figurinhas diferentes, que viviam escondidas nas embalagens das balas Ruth. Essa empreitada chegou a ser considerada, por muitos, quase impossível, pois haviam 4 figurinhas muito difíceis de serem conseguidas : a do Açucar, a da Casa de Madeira, a da Locomotiva de 1877 e a do Shakespeare. A ansiedade por encher cada página do álbum é indescritível para os padrões atuais. Cada bala desembrulhada e o surgimento de uma figurinha que faltava no álbum era motivo de pulos e gritos, que as crianças de hoje em dia não conseguiriam entender, e nem ver motivos para tanto. Mas, na Era do Rádio não tinha joguinho eletrônico, não se gastava tanto tempo diante de uma tela de computador tentando matar um inimigo ou roubar algum tesouro protegido por seres descomunais de feições horrorosas. A alegria da garotada era uma boa pelada em rua de terra, jogo de botões pela calçada, álbuns de figurinhas para colecionar, parque de diversões em fim de tarde e matinês em cinemas ou circos, em sábados e domingos. A televisão estava começando, e só os bacanas é que tinham poder de compra para possuir uma Zenith, Emerson ou RCA, as marcas da época. As minhas coleções eram as imagens que eu mais prezava, e abrir um álbum e encontrar uma página completa era muito melhor que esperar o vizinho ligar a televisão para ver a Virginia Lane, de pernas de fora, comandando os Espetáculos Tonelux, ou mesmo um desenho animado do Popeye ou do Mickey. A meninada do meu tempo gostava mesmo era de coleções. Colecionava-se tudo, desde figurinhas e carteiras de cigarro, até chapinhas de cerveja e gibis. E tudo era motivo para negociações de trocas e desafios para jogo, com a intenção de conquistar aquela peça faltante na nossa coleção. Lembro-me perfeitamente de meus álbuns de Artistas de Cinema e de Jogadores de Futebol, que compunham, com o das balas Ruth, a tríade perfeita das minhas coleções sagradas de figurinhas. As figurinhas dos artistas e dos jogadores não vinham enroladas em bala, mas dentro de pacotinhos fechados, e eram vendidas em bancas de jornal. Dentre as figuras dos jogadores tinham as famosas e disputadas figurinhas carimbadas, que eram difíceis de serem conseguidas e alcançavam altas cotações na bolsa de trocas. Creio que muitos desconhecem ser esta a origem do termo "figurinha carimbada", ainda hoje usada para designar uma pessoa difícil de ser encontrada, ou muito cotada na roda de amigos.
Os nossos pais também tiveram a sua época de figurinhas, que não eram coladas em álbuns, mas guardadas como cartas de baralho, em caixinhas de papelão, caixas de charutos ou naquelas mimosas caixinhas de madeira do Matte Leão. Eram as Estampas Eucalol, que surgiram no meio da década de 20 e permaneceram no mercado até meados dos anos 60. Dessas, eu não tive coleções, mas tive contato com algumas delas, guardadas por meus pais, de forma meio descompromissada, sem pretensões a reuni-las numa coleção. Das balas Hollandezas, eu não lembrava; para as Estampas Eucalol, eu não ligava, mas as Balas Ruth foram inesquecíveis, e têm o seu sabor retido, até os dias de hoje, na minha memória gustativa. A minha outra memória, a visual, jamais conseguiu esquecer os momentos em que, sentado a mesa da sala, eu colava as figurinhas no álbum, enquanto minha mãe costurava do meu lado, ouvindo os programas da tarde, na Rádio Nacional. De repente, tenho a sensação de estar ouvindo a Dalva de Oliveira começando a cantar Kalu, após os últimos acordes de Os Pobres de Paris, enquanto minha mãe cantarola junto com a Dalva, sem grandes pretensão, mas com muita emoção. Assim era a infância dos meninos do meu tempo, talvez sabendo menos do que as crianças de hoje em dia, mas, seguramente, realizando mais, muito mais mesmo. A garotada da minha época tinha o seu calendário próprio, era cheia de iniciativas e não ficava esperando que os adultos providenciassem áreas de lazer ou construíssem campos de esporte. Nós liderávamos as nossas brincadeiras e não admitíamos as interferências dos adultos. Eu sei que hoje é diferente, as crianças estão mais politizadas, e sabem cobrar as promessas dos governantes. Mas, talvez lhes faltem aquele espírito de liderança, para escolher onde e o que desejam fazer. São os tempos, sem dúvida, os tempos mudaram. E, afinal de contas, a geração atual não teve oportunidade de viver os sonhos que eu sonhei e levar a vida que eu vivi, pois eu nasci na Era do Rádio.
Bem que eu avisei que estava me guardando para quando o carnaval chegar. E ele chegou. Chegou do mesmo jeito que chegava quando eu ainda era um menino. Chegou trazendo no ar a saudade dos outros carnavais, e o desejo de ver novas fantasias e ouvir novas marchinhas. Só que agora está tudo mudado, e as ingênuas fantasias dos meus tempos de criança já não existem mais. As marchinhas foram substituídas por enredos de escolas de samba, que mudam os temas, recriam as letras, mas melodia que é bom, parecem todas iguais. Então, o que fazer senão recordar os bons tempos da Era do Rádio! Final dos anos 40, início da década de 50, carnaval pra ninguém botar defeito.
Era fevereiro de 1947, e eu me fantasiei de índio, num estilo americanizado, como tudo que era considerado bom, naquela época. Minha mãe caprichou no modelo, e eu me encantei com o Pirata da Perna de Pau, na voz de Nuno Roland, e com a Odalisca, no vozeirão de Nelson Gonçalves. Desse ano, eu não tenho fotos, mas é possível ver a minha fantasia de índio, vestida por meu irmão, numa foto do carnaval do ano seguinte. Lá em casa, seguia-se esse ritual de passar a fantasia, no ano seguinte, do irmão mais velho para o mais novo. Era meio cruel para o meu irmão, que herdava tudo que já não cabia em mim, e o novo para ele era o velho para mim. Mas, as famílias de origem portuguêsa, classe média da época, eram assim mesmo, tudo controlado, orçamento apertado, não se perdia nada, e grifes e moda eram luxos que não eram permitidos e nem percebidos. Na foto em que meu irmão está todo feliz fantasiado de índio, eu é que pareço meio desconsolado, incorporando o Aladim, ao lado da minha cigana amiga, a Eliane. Era 1948, eu tinha 4 anos de idade, e curtia os sucessos da época, como gente grande, acompanhando durante o mês de janeiro, a programação das estações de rádio, que puseram em destaque a interpretação de Carlos Galhardo, para Cadê Zazá, e Nuno Roland, para Tem Gato na Tuba.
No carnaval de 1949, como eu já comentei na postagem anterior, com a morte do meu avô, eu não me fantasiei, e a minha fantasia de mocinho ficou para o ano seguinte. Sem fantasia, mas não com arrelia, lá estava eu de ouvido atento aos blocos de rua que passavam de um lado e de outro da minha rua, me obrigando a correr que nem louco, da rua Cardoso de Morais até a rua Uranos, para vê-los passar, e saber o que estavam a cantar. Apesar de só ter 5 anos, eu agia mais como adulto do que como criança, mais interessado na pesquisa das marchas mais cantadas, do que de sair atrás dos blocos a cantá-las. Durante todo o mês de janeiro, os rádios da vizinhança já antecipavam que, naquele ano, ninguém tiraria o troféu da Emilinha, com a Chiquita Bacana. E só deu ela, com uma porção de mulheres vestidas com banana nanica, exibindo todo o seu existencialismo e seguindo a voz do coração.
Com a chegada da década de 50, eu desembarquei no carnaval mais ansioso do que nunca, pois ía poder, finalmente, assumir os ares de mocinho, o rei do Oeste, com tudo que um herói tem direito. Aproveitei para me divertir bastante, naquele início de ano, pois a frustração do meio de ano, com a perda da Copa do Mundo, tinha que ser compensada por antecipação. Eu saí dando tiro de espoleta, bancando o galã da vila onde morava, e defendendo as meninas bonitas que se sentissem ameaçadas pelos sempre temidos mascarados. As marchinhas de 50 foram maravilhosas, ou pareceram ser, tal a euforia que sentia, fantasiado de mocinho. A verdade é que fantasia só na parte da tarde, pois pela manhã era descalço, de calção e camisa aberta ao peito, correndo atrás dos blocos e registrando as músicas mais cantadas. Balzaquiana, Daqui não saio, Serpentina, a Marcha do Gago, com o incomparável Oscarito e o Meu Brotinho, com o El Broto Francisco Carlos, dominaram os meus 4 dias de folia.
Em 1951, fantasiei-me pela última vez, e dessa vez meu irmão ganhou o direito a uma fantasia nova, igual à minha, éramos dois piratas, de olhos vidrados pela sedução do carnaval, mas sem pernas de pau, e muito menos caras de maus. A Emilinha voltou a dominar o carnaval com o retumbante sucesso Tomara que chova, enquanto a Dalva cantava o Zum, zum, e afirmava que estava faltando um, lastimando a morte de algum sambista, que não saiu no bloco. Os blocos se multiplicaram, com tantos sucessos gostosos de cantar, os bondes passavam lotados, com a turma por cima dos bancos e sem se dar conta do cartaz que alertava sobre os riscos dos abusos durante os festejos :"veja ilustre passageiro, o belo tipo faceiro que o senhor tem ao seu lado, mas no entanto acredite, quase morreu de bronquite, salvou-o o Rhum Creosotado". Naquele tempo, o meu refrigerante preferido era o Guará, um guaraná sofisticado, com um sabor que nem me lembro, e que era exaltado nos reclames do rádio, com um refrão que repetia : "guará, guará, guará, melhor refrescante não há".
Sem fantasia no corpo, mas com muitas delas na mente, eu me deslumbrei com o carnaval de 52, quando a música Marcha do Conselho me deixou uma recordação que até hoje marca aquela época. Um amigo que, se não estou enganado, se chamava Nilo, e que morava numa vila próxima à minha, era louco por essa música, e vivia cantando-a, me dando a impressão que tinha algo a ver com os seus sentimentos por alguma mulher casada : "a mulher do meu maior amigo me manda bilhete todo dia, desde que me viu ficou apaixonada, me aconselhe seu Júlio Louzada". Para quem não viveu naquela Era, Júlio Louzada foi um locutor famoso, que fazia um programa diário, às 6 horas da tarde, quando recitava a oração da Ave-Maria. Antes da oração, ele lia uma carta de uma ouvinte pedindo conselhos, e os dava graciosa e formalmente, como um consultor sentimental, um analista sem divã, mas com um microfone que lhe dava o renome que muitos psicólogos jamais tiveram em seus consultórios. Nesse mesmo ano de 52, Francisco Alves, o Rei da Voz, gravou a sua última marchinha para o carnaval, com o selo Odeon, chamada Confete, pois viria a morrer em 27 de setembro daquele ano, num desastre de automóvel na Via Dutra. O Chico Viola, como também era chamado, retirou-se do cenário musical carnavalesco como um verdadeiro rei, cantando uma das mais belas composições da época. "Confete, pedacinho colorido de saudade, ai, ai, ai, ai, ao te ver na fantasia que eu usei, confete, confesso que chorei". Lindo, lindo ! Depois de se ouvir essa pérola musical, de autoria de David Nasser e Jota Júnior, não há como deixar de repetir comigo, sem saudosismos, nem lamentos, mas como um folião cansado, um trechinho da música Marcha da Quarta-feira de Cinzas, composta por Vinicius e Carlos Lira : " acabou o nosso carnaval, ninguém ouve cantar canções...". A verdade é que, para quem viveu o carnaval, na Era do Rádio, o que hoje se chama de carnaval não passa de uma longa, uma prolongada e interminável quarta-feira de cinzas.
O mês de fevereiro mal começava e eu já contava os dias que me separavam do carnaval. O fato de haver nascido no mês de fevereiro, num domingo após o carnaval, havia de mexer com esses meus sentimentos profanos de celebrar as festas pagãs com tamanho entusiasmo. Desde os meus 3 anos, eu já me fantasiava e guardava na memória as letras das marchinhas carnavalescas. Se as cantava, aí eu já não sei, mas que me lembro delas até hoje, e se as cantarolo me transporto para aqueles tempos, disto não tenho dúvidas. A minha primeira fantasia foi de Índio, no carnaval de 47, e a segunda, de Aladim, em 48. Em 49, eu não tive carnaval, já que sem fantasia não havia o que celebrar. Meu avô materno faleceu no sábado de carnaval, quando minha mãe dava os últimos retoques na minha fantasia de mocinho, como era chamado o herói dos filmes de bang-bang. Ainda guardo na memória, minha mãe na sala, às voltas com linha e tesoura, quando meu tio chegou, e avisou que meu avô pedira que fosse até a casa da irmã, e lá ficasse. Logo a seguir, minha mãe foi avisada para ir à casa do pai, e lá chegando já o encontrou sem vida, após um ataque fulminante do coração. A fantasia foi para o fundo do baú, e o meu carnaval acabou naquele sábado, sem confete, serpentina ou lança-perfume. Nos dias seguintes, os blocos desconheciam o nosso luto, e passavam cantando o General da Banda, a Chiquita Bacana e o Pedreiro Valdemar. No rádio, as vozes de Blecaute e Emilinha espalhavam-se pela vizinhança, misturando-se ao inebriante perfume das lanças-perfumes. Mas, naquele ano de 1949, eu não ganhei o direito de portar o meu artefato de metal dourado, tão sonhado e cobiçado, que lançava jatos de perfume que arrepiavam a pele e perfumavam o ar. A minha fantasia ficou guardada como uma sinfonia inacabada, triste e desolada, sem ter a quem vestir. Dentro de mim, eu me consolava com a lembrança do Cadê Zazá, sucesso do carnaval do ano anterior, na voz do Carlos Galhardo. Na memória, a fantasia de Aladim, que já nem dava mais em mim. O mocinho ficaria para o ano seguinte, a Chiquita Bacana, lá da Martinica, que se vestia com uma casca de banana nanica, não foi cantada, mas fez contraponto com a marcha fúnebre que permaneceu no ar daquele triste lar. Ah, mas no carnaval de 1950, o herói brilhou nas telas do bairro, seduzindo as mocinhas e pondo os bandidos para correr! Nunca eu me guardei tanto, esperando o carnaval chegar, como naquele ano de 1949. E quando ele chegou, lá estava eu, de camisa quadriculada, lenço no pescoço, chapéu na cabeça e um par de revólveres na cartucheira.
Nos rádios da vizinhança, Jorge Goulart soltava a voz, exaltando as balzaqueanas, que muito antes, o escritor francês Honoré de Balzac já havia escolhido como suas favoritas. É verdade que a garotada não levava muita fé naquela afirmativa, "não quero broto, não quero, não quero, não, não sou garoto para viver mais de ilusão, sete dias na semana, eu preciso ver minha balzaqueana". Era mais fácil acreditar naquele apaixonado pierrô, que na voz de Nelson Gonçalves, jurava ter guardado "a serpentina que ela jogou, ela era uma linda colombina, e eu um pobre pierrô". Era o carnaval de 1950, era tempo de voltar à folia de menino, de ouvido atento nas marchinhas do rádio e de olho esperto nas esquinas, à espera do bloco passar. Era esse o meu carnaval. Nada de pular, nada de sair atrás de blocos, e muito menos de botar máscaras no rosto, eu só queria viver o clima do carnaval. Acordar no sábado, correr para a rua, e respirar o ar festivo que iria durar por 4 dias. À tarde, o ar já recendia a lança-perfume, e à noite, nas barraquinhas da Praça das Nações, era o molho do cachorro-quente que penetrava por minhas narinas, e temperava a minha alma de folião. Se o meu olfato gravou na memória a preparação dos cachorros-quentes, os meus olhos permanecem seduzidos até hoje pelas imagens daqueles potes de vidro, cheios de refrescos vermelhos e brancos, de onde eram servidos, em copos cônicos de papel, a groselha e a limonada. Que saudosas lembranças, quanto encantamento! Ah, se, naquele início de ano, eu soubesse o que aquele fatídico ano de 1950 reservava para o futebol brasileiro, talvez não me deixasse contagiar por tamanha euforia, com o meu retorno ao clima carnavalesco ! Mas, a vida é feita de bons e maus momentos, num contracanto de graves e agudos, de altos e baixos. Alegrias e tristezas, mortes e renascimentos, vitórias e derrotas. Morreu meu avô, em fevereiro de 1949, nasceu minha prima, filha do meu tio Sandoval, no dia 1º de março. Não joguei lança-perfume na Chiquita Bacana, mas, no ano seguinte, cantei a Balzaqueana. Perdemos a Copa em 50, mas fomos tri-campeões, 20 anos depois. E tudo ao som do rádio. Marchinhas no carnaval, Oduvaldo Cozzi narrando os jogos, César de Alencar alegrando os nossos sábados e O Balança mas não cai fazendo a alegria das nossas noites de sexta-feira. E, quando acabava o nosso carnaval, e não mais se ouvia cantar canções, como lamentava os versos de Vinicius, já ficávamos ansiosos guardando-nos para o ano seguinte, quando o carnaval chegar. Entre esses versos do Vinicius e os do Chico, ficava aquela criança sonhadora, ligada nas marchinhas de sucesso e no som que vem do rádio. Afinal, é bom que não se esqueça que o menino, que era eu, viveu a sua infância na plenitude de um tempo que foi conhecido como a Era do Rádio.
"Esquece por momentos teus cuidados, e passa teu domingo em Paquetá". Os versos de Braguinha me fazem recuar no tempo, até os anos 50, quando Paquetá era o meu Jardim do Éden. A Ilha de Paquetá era o xodó do tio Sandoval, que tinha uma verdadeira adoração por aquele recanto de amor. Eu embarquei no sonho do meu tio, e não conseguia dormir, quando minha família se programava para passar um fim-de-semana em Paquetá. Naqueles idos de 50, meu tio Sandoval decidiu comprar uma casa em Paquetá, para seu descanso de final de semana. Na sexta-feira, ele saía da Rádio Nacional, à noite, pegava a última barca, e chegando no cais, dava alguns passos e já estava em casa. A casa era um encanto de conforto e muito aconchegante, com seu salão no 1º andar e os quartos no andar de cima. Ainda hoje, trago na memória o cheiro do mar, que entrava pela janela do banheiro, quando de manhã cedo, eu ia escovar os dentes. O banheiro ficava no 2ºandar, e recebia a brisa matinal, vinda da praia. Os preparativos de viagem, naqueles finais de semana, me deixavam numa excitação indescritível. A família suburbana saía de casa, ainda no escuro, para pegar o lotação Cordovil-PraçaXV, que passava no Largo de Bonsucesso. Quando chegava na Praça XV, a simples contemplação do mar, junto ao cais, e o cheiro de maresia me deixavam em êxtase. Se viajávamos de barca, eu tinha lá minhas preferências, "a Terceira é muito lenta, a Sétima é melhor". As barcas da Cantareira eram numeradas, por sei lá que critério, nem me interessava. Lentamente, a barca se arrastava pelas águas calmas da Baía de Guanabara. Vez por outra, enfrentava-se um mar mais agitado, que as grandes barcas encaravam com relativa estabilidade. Se a opção fosse a lancha, então a viagem era mais rápida, cerca de uma hora, contra duas, ou um pouco mais, das barcas. Eu preferia a Pedreira, mas não via com maus olhos ter de viajar numa das Orientes I ou II. Essas eram lanchas grandes, que davam uma sensação de segurança, pelo menos para um menino sonhador, que aceitaria uma jangada, se preciso fosse, para alcançar o seu destino, a Ilha de Paquetá. Em lá chegando, encontrava-se o tio Sandoval, de bermuda, pedalando a sua bicicleta e cheio de energia. Lembro-me que, um dia, ele me convidou para dar uma volta no porta-embrulho da bicicleta, e lá fui eu, cheio de orgulho, me sentindo importante, por estar ali com meu tio, um músico famoso. De repente, meu tio parou a bicicleta, atendendo o chamado de um conhecido. Começaram a conversar sobre composições de autoria daquele que parecia ser um compositor musical, ou pretendia ser. Meu tio pediu que ele cantasse um trecho da música que ele havia composto, o cidadão limpou a garganta e mandou ver. Finda a breve audição, tio Sandoval recomendou que ele o procurasse, na segunda -feira, na Rádio Nacional. E seguimos o nosso passeio, com o meu coração acelerado, por haver presenciado um fato inusitado, para uma criança na minha idade. Eu devia ter 7 ou 8 anos, e não estava acostumado com aquele mundo artístico. O amor do tio Sandoval por Paquetá durou alguns anos e rendeu-me belos finais de semana olorosos, quando o mar desfeito em rosas refletia a lua cheia. O marulhar das ondas na praia, ao cair da tarde, voltava comigo para casa, gravado em minha memória, e embalava o meu sono pelas semanas seguintes, até que acontecesse um novo fim de semana em Paquetá.
Quando decidi criar este blog, a minha intenção era torná-lo quase que um livro de memórias. As minhas preciosas lembranças da infância e juventude, eu não as queria perdidas no tempo. As brincadeiras de rua, os costumes da época, as músicas de carnaval, os programas de rádio, os parques de diversões, os circos, o futebol de domingo, tudo isso precisava ser preservado, para as gerações futuras, a fim de que não caísse no esquecimento, atropelado pelas mesmices globalizadas, de uma sociedade carente de criatividade e inciativas. Afinal de contas, eu nasci em plena era do rádio, um tempo em que os fatos eram temperados por uma presença saborosa dos programas radiofônicos, quando cada criança criava a sua própria brincadeira e não se postava hipnotizada diante de uma tela, recebendo ordens e aguardando aprovações. Com as primeiras postagens, e após inúmeras pesquisas, pude perceber que o grande saxofonista Sandoval Dias não era quase mencionado, apesar de ter sido considerado por Radamés Gnatalli, como um dos melhores da sua época. Ora, bolas, ele foi meu tio, e quem melhor do que eu, para reescrever uma parte da história que ele viveu, e da qual fui testemunha!
Escrevi para minha prima, pedindo-lhe que me enviasse tudo que tivesse guardado sobre seu pai, pois iria juntar suas informações às minhas lembranças, e tentar contar um pouco da vida do tio Sandoval, o homem e o músico. Agora, em função desses ideais que me inspiraram a criação deste blog, sou indicado por um dos mais conceituados blogs de música, o Toque Musical, ao Prêmio Dardos, uma distinção que honra a qualquer um que o receba, pois se trata de uma premiação que não é uma ingênua troca de gentileza, mas uma escolha séria, feita por gente séria. Agradeço imensamente ao Toque Musical por essa indicação. Confesso que a honra de possuir um link naquele blog já me havia deixado em estado de graça, mas esta indicação foi muito além do que poderia imaginar.
Ainda sensibilizado pela premiação, faço a gora a minha parte, e indico os blogs com os quais gostaria de compartilhar este Prêmio.
Aqueles Tempos: um blog repleto de fotos e menções às tradições de um tempo que muitos, por ignorância ou modismo, procuram apagar da memória, como se uma nação que se preze pudesse desprezar suas raízes. Linha do Tempo da Invenção Musical : um blog para quem gosta de pesquisar e de se aprofundar na criação artística musical. São Lourenço - Caminho das Águas : um blog que reúne informação, história e memórias de fatos marcantes na vida de uma das mais tradicionais estâncias hidrominerais do Brasil, contadas com emoção e sensibilidade. Outros não indico, não porque não existam, mas porque não desejo me deixar levar pelo entusiasmo de agraciar a muitos, sem ter o devido conhecimento pelo conteúdo desses blogs. Mas, se me fosse dado o direito de indicar a quem me indicou, não vacilaria nem por um momento, e incluiria dentre os melhores, senão o melhor, o Toque Musical, pela preciosidade das obras exibidas e pela riqueza das informações com que os aficionados da boa música são presenteados a cada nova postagem.
A cada indicado cabe fazer o mesmo, e indicar blogs que considerem de alto nível e de elevado padrão de qualidade, dando seqüência a essa seleção que percorre o mundo, com vistas a criar uma autêntica rede de cultura, arte e bom gosto.